Recife, 04 de Julho de 2008.
   

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Arruda :::

Confira a história do nosso maior patrimônio, o estádio José do Rego Maciel, o ARRUDÃO como é conhecido em todo Brasil !

Quem passa hoje pelo estádio José do Rego Maciel, sequer imagina que o Santa Cruz já andou sem eira nem beira, mudando-se constantemente de um lado para o outro, muitas vezes na calada da noite, para evitar que os oficiais de justiça levassem os troféus – patrimônio maior do clube – penhorado ao lado de móveis, por causa das dívidas, um mal crônico naqueles tempos de dinheiro curto.Em 1943, entretanto, o Santa Cruz começava a se implantar no bairro do Arruda, ao alugar um terreno entre a Avenida Beberibe e a Rua das Moças e que até então vinha sendo utilizado pelo Centro Esportivo Tabajaras, um clube suburbano de muito peso.Como o local, propriedade particular do Industrial Arthur Lundgren, fundador das Casas Pernambucanas, era bastante cobiçado, o Santa, através de Aristóteles de Andrade e do médico Gonçalo de Melo, apressou-se em alugá-lo por CR$ 150,00 mensais, tendo ainda que pagar um débito de CR$ 1.000,00 que o Tabajaras tinha numa loja de artigos esportivos. No mesmo ano foi comprada, por CR$ 50.000,00, uma casa na Avenida Beberibe, que quando reformada, acabou servindo como sede para o clube.Quando tudo parecia calmo, o dono do terreno resolve lotear o mesmo por CR$ 4.000.000,00, porém, como o proprietário possuia uma grande dívida com o município, o vereador Wandernkolk Wanderley apresentou um projeto na Câmara Municipal para desapropriação do terreno, que acabou aprovado no dia 4 de julho de 1952, na gestão do prefeito Antônio Pereira.No mesmo ano acabou surgindo mais um complicador, uma empresa paulista interessada em instalar um parque fabril em Recife, chegou a oferecer CR$ 6.000.000,00 pelo terreno, sendo que a importância de CR$ 2.000.000,00 iriam diretamente para os cofres do Santa. Na presidência do clube, Aristófanes de Andrade acabou não concordando, passando a trabalhar obstinadamente para que o local passasse de uma vez por todas para os domínios tricolores. Em 1954, o prefeito José do Rego Maciel – que hoje empresta seu nome ao estádio – dava condições para que o Santa se apossasse definitivamente do terreno. Neste ano começou a ser construído o que hoje se chama de Repúblicas Independentes do Arruda. Muitas campanhas foram feitas junto aos torcedores, que acabaram ajudando a construir inicialmente o "Alçapão do Arruda", com arquibancadas de madeira e situado em posição oposta à atual.No ano de 1965, com a venda de cadeiras cativas e títulos patrimoniais, o clube começou a construir o seu estádio, o que só foi possível devido a uma mobilização de torcedores nunca antes vista. As pessoas levavam ao clube todo tipo de material de construção e doavam a sua mão de obra, construindo assim com as próprias mãos o Quarto Maior Estádio Particular do Mundo!No dia 4 de julho de 1972, num amistoso contra o Flamengo do Rio de Janeiro, o Arruda foi inaugurado, como descreveu o jornal Diário da Noite no dia seguinte:"Um misto de futebol exibição e competição foi o que realizaram, ontem no Arruda, as equipes do Santa Cruz e do Flamengo do Rio, na festa de inauguração do estádio José do Rego Maciel, o "Mundão do Arruda".Mas não foi somente por isso que a partida terminou zero a zero. A boa performance do goleiro Renato, do Flamengo, impediu a movimentação do placar pelas suas extraordinárias defesas.As duas equipes aplicaram idênticas sistematizações táticas: 4-2-4, variando para 4-3-3. O Santa Cruz, utilizava o ponteiro esquerdo Betinho para, com Erb e Luciano, formar seu tripé. Quando os cariocas ficavam em posse da bola, Doval abandonava aquela posição, transformando-se em outro atacante. O mesmo foi observado com relação ao time da casa. Atrás, pelo lado tricolor, Sapatão e Rivaldo bloqueavam a passagem da área pelo miolo. No Flamengo o mesmo acontecia com Chiquinho e Tinho. As jogadas esquematizadas não surtiam efeitos. Os atacantes não tiveram criatividade, não tentaram jogadas pessoais e a troca de passes laterais foi muito usada na tentativa de encontrar um caminho por onde os atacantes penetrassem. Foi por isso que, no primeiro tempo, apenas um lance motivou o público: um chute de Betinho, de longe, forçando Renato a mostrar suas qualidades de goleiro. Daí pra frente, o público não vibrou e o placar em branco permaneceu até o final do primeiro tempo. No segundo tempo, o rubro-negro carioca voltou com duas substituições: Fio e Liminha. O primeiro no lugar de Doval e o último no lugar de Zé Mário. O Santa não mexeu.Por ser um jogador exibicionista, que procurava sempre fazer firulas com a bola, Fio deu a impressão inicial que deslancharia a retaguarda do Santa, através dos seus dribles desconcertantes. Mas foi apenas um lampejo. O criolo "doido" depois de 15 minutos de jogo, voltou ao lugar comum, pior disso até, não conseguindo fazer metade que Doval fizera no primeiro tempo. Já Liminha não alterou nada. Jogou o mesmo futebol de Zé Mário.Como o Flamengo ficou meio esfacelado no seu meio de campo, o Santa Cruz disso se aproveitou e passou a jogar melhor que o seu rival. Aos 15 minutos, Cuíca perde a primeira grande chance, chutando por cima um bola em que ele estava cara a cara com Renato. Numa tentativa de dar maior agressividade ao seu ataque, o Flamengo procedeu outra substituição, desta vez, Dionísio no lugar de Vicente mas o Santa Cruz continuou apertando o certo e outra grande chance para abrir o marcador surgiu aos 31 minutos: Beto, que substituíra Cuíca, cabeceou encobrindo o goleiro Renato no lançe mais bonito da partida. Todo o estádio gritou gol, mas a bola passou de mansinho pelo poste do lado esquerdo do Flamengo se perdendo pela linha de fundo.Daí por diante, os jogadores não se entregaram com vigor nas jogadas, passando a tocar a bola como que satisfeitos pelo marcador em branco. Os jogadores ficaram em campo "gastando" a bola até terminar a partida. Com um trabalho muito bom, dirigiu o amistoso o árbitro Sebastião Rufino, tendo como auxiliares Armindo Tavares e Geraldo Alves. As equipes formaram-se assim:

    * Santa Cruz: Detinho; Ferreira, Sapatão, Rivaldo e Cabral (Botinha); Erb e Luciano; Cuíca (Beto), Santana (Zito), Ramon e Betinho.
    * Flamengo: Renato; Moreira, Chiquinho, Tinho e Wanderlei; Zanata e Zé Mário (Liminha); Vicente (Dionísio), Caio (Ademir), Doval (Fio) e Arilson.

A renda da partida fornecida pela federação foi de CR$ 193.834,00 assim descriminada: Na arquibancada – 13.442; Sócios – 2.407; Gerais – 22.879; Senhoras, crianças e militares fardados – 8.267; e Cadeiras – 693. Total : 47.688 Público Pagante."
     
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